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O
gosto salgado do Mar............
Tive o privilégio
de nascer em uma geração que já
colhia os bons frutos que foram plantados sob
duras condições, leia-se: Preconceito,
Desrespeito e Indiferença.
Tais desbravadores queriam apenar semear um “estilo
de vida” que em tese quebrava o padrão
moral que os Pais sonhavam para seus filhos naquela
época.
Lembro-me claramente
do rótulo de “Vagabundo e Maconheiro”
que assombrava nossos planos futuros, quando de
fato o que queríamos, era viver de um esporte
altamente saudável e que colocava-nos em
total sintonia com a natureza.
Para um menino que nascera a beira do mar, era
muito difícil imaginar que a redenção
viria com um terno e gravata no vai-e-vem dos
ônibus de uma grande metrópole, e
não usufruindo da qualidade de nossas ondas
e de um possível “talento”
oferecido por DEUS: o talento de SURFAR!
E assim estava
escrito, ou melhor, a história foi sendo
re-escrita, os verdadeiros surfistas foram conquistando
seus diplomas, formando suas famílias,
construindo confecções, fabricas
de Prancha, ganhando espaço na mídia,
etc....!
Ser surfista agora se tornou status social, vestir-se
como surfista virou moda, o surf como bandeira
de campanha política e por ai vai....
O surfe realmente é “Ferramenta de
inclusão social” e tem transformado
a vida de toda uma geração, que
encontrou neste esporte seu meio de subsistência.
Creio que muito
mais pode e deve ser feito, não por um
bando de “Vagabundos e Maconheiros”
que ainda intitulam-se surfistas, mais por toda
uma “Legião” de pessoas sadias,
que valorizam cada minuto de suas vidas trabalhando
em prol da coletividade e aguardam ansiosamente
para poder “embriagar-se” no prazer
de surfar ao final de uma jornada de trabalho.
O surf é
um esporte maravilhoso e cresce vertiginosamente
em numero de adeptos a cada novo verão.
As escolinhas se multiplicam e é exatamente
ai, onde poderemos além de ensinar a ficar
em pé na prancha....ensinar a ficar de
pé na vida.
Necessitamos de ações preventivas
para que nossas crianças tenham suporte
psicológico e consigam discernir melhor
sobre o que é certo e o que é errado.
Aos Pais, cabe a árdua e eterna tarefa
de educar aos filhos sobre convivência humana,
compaixão e principalmente o perdão.
Ensinando também que: “Sem
Fair play, o Esporte não é possível,
porque, se o esporte não estiver pautado
em um código de ética, vira o caos.
Aquela micro-sociedade do esporte vira uma sociedade
primitiva. Então, o esporte só vai
sobreviver juntamente com o espírito esportivo,
não como algo ingênuo, mas com o
respeito que se estabelece nas relações”
*Fair Play : conformidade
com as regras estabelecidas de um esporte, ramo,
jogo limpo
Paulo Motta.
surfhf@uol.com.br
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